19 de jun de 2007

.:. Erro logo, existo .:.

De que vale as amarguras da vida senão para pontuar os nossos erros?Somos seres munidos da possibilidade de errar a todo momento. Errar por querer mais do que alguém é capaz, errar por insistir no erro, errar por acreditar de olhos fechados, errar por duvidar de ouvidos abertos, errar por ser demais, errar por ser de menos, errar por esperar que sejam aquilo que você deseja e não aquilo que podem ser.

A cada momento temos a incrível capacidade de cometer mais erros e a importante missão de não repeti - los. Erramos por sermos fúteis, por sermos largados demais à própria sorte. A todo tempo estamos errando, mas o mais importante é aprender com eles.Não há que se cultivar traumas e tampouco mágoas, não há que se julgar o que deveria ou não ser feito, o que podemos é perceber as consequências do que realmente foi feito.E você acha que um dia isso cessa?Não! Chegaremos aos 90 errando e aprendendo. Haverá erros que se repetirão. O homem é um ser pensante e por isso errante. Pensamento antigo esse, do tempo da filosofia, vê quanto tempo já vimos errando?

O amor aparece aí, nesse momento, no ponto em que, se somos errantes, se todos o somos, só nos basta encontrar àqueles que estiverem dispostos aprenderem com seus erros, reconhecê-los e assim, trilhar seus caminhos juntos. Errando e aprendendo juntos. Reconhecendo no outro o espelho necessário para o nosso crescimento, nossa maturidade. Enquanto esperarmos a pessoa perfeita, seremos infelizes. E lá se vai mais um erro.

Não somos obrigados a conviver com pessoas por amor, nós escolhemos com quem partilhar nossos conhecimentos adquiridos ao longo da vida com os nossos "levantares". A troca, o mútuo deve existir, a parceria e a flexibilidade, o ceder mesmo dos seus mais amados momentos em função de construir algo diferente, que não seja para o "eu" e nem para o "você", e sim para o "nós".
A verdade é que simplesmente passar pela vida é muito fácil. O importante é que seja fácil viver. Porém, mesmo assim, tudo recomeça porque no final das contas, a felicidade está no que você deseja se tornar e não no que você é. E se tornar alguém é cometer erros e cometer erros torna a vida difícil (ah, se torna!), mas olhar pra trás e ver que é uma pessoa melhor a cada dia faz a vida valer a pena.É ser objeto da sua história e não apenas um observador dela.

2 comentários:

RAPHAEL disse...

Não concordo com seu axioma do amor. “O ser humano é um ser errante, logo, permito-me errar”.
Acho que o conceito de certo e errado esteja extremamente à margem dos valores culturais e morais do seio social em que estamos inseridos. Sempre gosto de usar um exemplo muito interessante. Em 1850 a lei Eusébio de Queirós punia todo e qualquer traficante de escravos. Como sabemos que o ser humano necessita de uma dose político-punitiva para mudar os seus hábitos (Leia-se não apenas a malfadada Lei Áurea), a escravatura passou a ser um erro. Desde então, deixamos de encarar o ser humano como uma mera propriedade, nos imiscuindo cada vez mais na igualdade e compaixão. O que quero dizer com isso? Ter escravo é errado. É imoral. É bizarro, absurdo.
Em 1929, Al Capone, o maior traficante dos Estados Unidos, foi eleito uma das personalidades do ano. Hoje, “Scarface” seria um mero: distribuidor de bebidas! Mas naquela época, devido a “Lei Seca” promovida pelo Governo republicano de Coolidge Jr., comprar bebida era crime. Hoje, beber é normal. Pode ate ser considerado como algo bonito; uma confraternização. Apesar de seus efeitos devastadores (tanto no campo físico como no social) não é mais considerado uma droga.
Como último exemplo: no Islã, desde a época de Maomé, a bigamia é corriqueira e comum. Um homem pode ter várias mulheres; e creio que elas não estejam se importando muito com isto (Risos).
Depois de discorrer brevemente sobre três grandes “fatos” históricos, gostaria de finalizar, demonstrando que: o conceito de certo e de errado está inserido no tempo! Portando, não procure o seu certo à medida do errado. Procure apenas compreensão e ela a fará feliz. Muito feliz.

Ana disse...

Eu...já acho que não existe o certo e nem o errado. O que é certo para mim, pode ser errado para o outro e vice versa.
Adorei o texto amiga e, concordo que é muito melhor ser um objeto da nossa própria história e não apenas um mero observador.
Bj grande.

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