3 de nov de 2011

Me caguei de verde e rosa


Eu adoro Escola de Samba e hoje lembrei de um episódio.

Sou Mangueirense mas fui Viradouro a vida inteira. Vou contar como isso mudou.

Sempre frequentei a quadra da Viradouro porque sou Niteroense e achava certo abraçar minha cidade, mas o Acadêmicos não me abraçou na mesma proporção e sempre saía aborrecida da quadra.

Um dia fui ao ensaio da Mangueira e pensei que era melhor não irmos de carro por se tratar de uma comunidade bem perigosa e fomos de carona com um amigo num carro alugado (foi mal Localiza!).

Pra quem não conhece, antes de entrar na quadra rola uma pré num botequim birosca daqueles clássicos com direito a mesa de ferro, xixi no chão, bêbado cativo e boas risadas.

Entrei sem fila (sorte?), sem stress e com um grande sorriso nos lábios.  Um lugar incrível, gente bonita e o verdadeiro sentido de comunidade. Todo mundo na mesma sintonia com o samba na ponta da língua e eu deslumbrada e apaixonada por tudo aquilo.

Voltamos com a certeza de que o povo brasileiro é realmente feliz e admirável apesar de tudo... ou quase tudo.

Ah! Lembra do amigo do carro alugado? Então, ele esqueceu de comentar que tinha ido sem avisar a namorada. E adivinha quem apareceu atrás dele? E adivinha quem perdeu a carona pra voltar? 

Por sorte conseguimos encontrar um amigo gente fina que tinha bebido pouco e tinha ido com o carro de trabalho que mais parecia carro de bandido. Mas era a nossa única saída.

Agradecemos a noite maravilhosa e voltamos para Niterói em clima do fervo da Mangueira. Tudo lindo até aquele amigo caôzeiro que tinha bebido pouco resolver parar embaixo de um viaduto, apertado pra fazer xixi. Conclusão: uma viatura da PM colou na traseira. 

Olha que legal,! Viaduto no morro, carro parado na pista, PM, motorista bêbado... vai dar tudo certo, não é?  Errado!

Enfim... eu só queria dizer que a PM no Morro da Mangueira é de uma elegância sensacional (pigarro) e cada solicitação feita de proprina foi prontamente atendida como bons cidadãos encagaçados que somos. 

E como o papel dos profissionais de segurança pública é cuidar de nós cidadãos, eu levarei pra sempre o conselho do meu melhor amigo de infância que acabei de fazer, de nunca mais voltar na Mangueira já que eu realmente não faço ideia do que alguns "pessoal" de lá gostam de fazer com menininhas bonitinhas como eu. 

Obrigado PM! Sem dinheiro, sem carona e sem vontade nenhuma de voltar à minha querida Mangueira.

De qualquer forma, continuo mangueirense, apaixonada por Cartola e agradecendo todos os dias pelas transmissões ao vivo da Rede Globo e por poder comprar um ótimo sofá. Não existe melhor lugar que o nosso lar quando o cagaço tira toda a nossa coragem. Até ano que vem, Mangueira! Te vejo na TV!

31 de out de 2011

Distância


Namorar a distância é uma delícia. Ou não. 

Todo dia bate uma saudade e cada reencontro é garantia de que o abraço será daqueles, looongos e aconchegantes. E não há tempo para desacordos, lamentações a não ser de não estarem sempre juntinhos. Ah, como é delicioso alimentar esse amor, contar os dias, riscar o calendário e fazer sempre planos a médio prazo.

Porém, vamos aos fatos:

Você sempre está sozinho. E o companheiro passa a ser aquela pessoa que existe, mas que ninguém nunca vê. 

Seu lazer passa a ser agendado e condicionado ao bom humor de São Pedro. Dependendo de como está o dia, resolverão o que fazer.

Sua conta de telefone é gigantesca ou você certamente adquiriu uma promoção "fale menos" de qualquer operadora. Nenhum namoro resiste ao empobrecimento. Casamento talvez sim, namoro não.

Aí começam as discussões de quem cede mais, a contabilizar quantas vezes cada um se deslocou e pior, a comparar a importância dos eventos inadiáveis. E isso é realmente complicado e subjetivo.

Namorar começa a custar caro, a proporcionar pouco lazer e a atrapalhar o seu trabalho. Pronto, meio caminho para dar errado.

Obviamente nada disso é uma verdade absoluta já que algumas pessoas são capazes de ceder mais que as outras. Afinal, a gente sempre espera que em breve a pessoa esteja ao nosso lado. Se sobreviverem, poderão curtir cada minuto perdido. Até lá, que tal apenas baterem longos papos?  Ás vezes dá certo.


28 de out de 2011

Tô Preguiça Mesmo

Simon Gerzina Photography

Tem dias que a gente já acorda cansada, olha para o mundo e vê que tudo está do lado avesso. Nestes dias, indignação é o seu sobrenome.

Tem dias que a gente fala sem filtro, sem volume e desordenadamente. Tem dias que a gente não quer falar e tem preguiça de pensar.

Tem dias que você quer simplesmente não ter que decidir o que vai comer. Nessas horas, tudo o que precisamos é de um pouco de silêncio. Silêncio interior. Estabilizar o cotidiano. Remover o que sobra.

Depois tudo isso passa e você olha pra trás e se pergunta quem era aquela louca na qual você se transformou nos últimos dias. E tem a impressão que será assim pra sempre!

Portanto amigas, para esses intermináveis dias, fica a dia: absorvente, sorvete e muito eu disse muito carinho. Já já vai passar.

7 de ago de 2011

Noveleira é o Carvalho

Vamos falar sobre novela...

Ouvi daqui o uhul! das noveleiras e a disfarçada do machão que finge que não assiste novela.

Já reparou o comportamento estranho das pessoas que assistem teledramaturgia? (É novela, gente!). Conheço gente que tá lá na cozinha e que de repente aparece correndo na sala querendo saber o que o ator falou. Cara, sei lá! Eu tava ocupada tomando um susto!

E aquelas pessoas que levantam bufando reclamando que o autor acha que o telespectador é otário. Bom, não queria ser eu a dar essa notícia, mas no-ve-la é obra de ficção e por isso, é tudo de mentirinha. Pronto, falei! Alguém traumatizado aí?

Tem também aquela que sofre junto. Já pensou chegar em casa e ver sua mulher aos prantos com raiva de você, dizendo que todos os homens são iguais e que se quiser jantar que vá esquentar a comida no microondas. Ok, ainda bem que hoje é quinta e tem aquele programa de amor e sexo depois da novela. Ufa! Se fosse Ratinho era o fim! Com direito a questionar paternidade e tudo.

Mas reconheçamos o papel cruscial da novela na sociedade, levantando questões, incitando a discussão, fazendo merchan ... e o merchandising de novela é o melhor. O autor coloca um ator pra fingir (lembre-se que é uma obra de ficção) que consome o produto e encaixa um texto de mentira, numa embalagem de mentira e quer que a gente acredite que é de verdade. Ah, faça-me um favor!

Na verdade eu gosto de novela e quando acaba uma boa eu realmente sinto um vazio num certo horário porque atrapalha a minha rotina, sabe? E a próxima novela eu nem assisto os primeiros capítulos porque fico com um nojo dela ter roubado o horário da outra! Pego nojo!

Mas o melhor é ver novela com o companheiro do lado fazendo comentários sutis e intelectuais sobre os corpos nus nas novelas. Tá falando "ela é bonita"e pensando "que gostosa".  Tô viva, hein? E aqui em casa é jornalismo verdade que de encantado nem o cordel, que essa Maria não é do Bairro e se der mole eu Sassarico!

: )